
Artigo do jornalista Alceu Feijó - Jornal NH - Novo Hamburgo
- RS
"Um lugar para sobreviver A reprodução de um texto antigo,
exposto na sala de estar do Veraneio Hampel de São Francisco
de Paula, dizia que em 1924, a pensão já tinha 20 anos
de funcionamento. Provavelmente o mais antigo estabelecimento hoteleiro
da região serrana. De minha parte, lá pelos idos de 1937,
já conhecia a pensão como a atração maior
de São Francisco, naquela época, também considerada
a cidade mais importante do 'veraneio' gaúcho. Os dias de verão
eram marcados pela presença de muita gente da 'capital' que
procurava as belezas e as purezas de São Francisco, graças
a Deus praticamente intactas. Tanto as belezas naturais quanto o ar.
Mas de todos os estabelecimentos existentes na 'vila', a pensão
se destacava pela sua imponência e localização.
Primeiro porque ficava na 'boca da serra', a chegada principal de
São Francisco para quem vinha de Taquara depois de uma aventuresca
viagem de ônibus serra acima. Boca da Serra era o final da subida
e a chegada na planície e o viajante dava de cara com o enorme
prédio da Pensão Hampel e as casas de veraneio à
sua volta.
Outra aventura inesquecível era fugir de casa pedalando a bicicleta
Adler dividida entre os irmãos e ir tomar banho no 'açude'
da pensão, visitar a cascata e ver o gerador de luz movido
à água. A cascata ainda existe majestosa, o lago deslumbrante,
e o engenho de luz a CEEE acabou por torná-lo inútil.
O parque em geral continua de rara beleza, principalmente nesta época
de hortênsias que rivaliza com os plátanos no outono.
Tudo isso continua 'logo ali' em estrada asfaltada e com pouco mais
de 70 quilômetros.
Como todas as coisas antigas, a Pensão Hampel teve momentos
de crise e passou de mão em mão com altos e baixos no
atendimento. Felizmente aqueles que não atenderam bem os visitantes
também foram incapazes de destruir o parque e suas belezas
naturais, e acho que com a nova administração teremos
o parque para sempre. Pelo menos o que nos foi permitido verificar
recentemente, quando almoçamos lá, é uma garantia
do nosso otimismo. Não tem o luxo de cinco estrelas, mas tem
o calor humano dos pequenos hotéis do interior, onde o hóspede
ainda é uma criatura e não uma ficha computadorizada.
Os garçons não andam de fraque e nem chegam à
mesa de dois em dois minutos perguntando se está tudo bem, como
acontece nos grandes estabelecimentos que transformam o hóspede
numa miniatura, tal a sua grandeza.
Mas não é para fazer o comercial do Veraneio Hampel que
estou escrevendo, mas sim para relatar a satisfação de
um serrano por tudo que é bem-feito e por tudo que é conservado
em sua terra natal(...)"
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